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Optimist: Uma História para Vida

Por Henrique Lyrio Albuquerque
Junho de 2019

Saudações marinheiros! Como vocês sabem, há uma certa coisa que une a todos nós, e é esse maravilhoso esporte, a vela. E o que é que utilizamos para desfrutar desse amor, dessa conexão? Os barcos. Mais do que simples veículos, grandes portadores de amor e sonhos, conquistas e desafios. E agora falarei de um certo barco muitíssimo especial. Ele mesmo, o Optimist, nosso amado “caixotinho”, como dizem alguns. Todos vocês sabem como é um optimist. O casco de fibra, os equipamentos, a vela e etc. Mas o que vocês não sabem, é como ele chegou até essa forma. Suas origens, dados interessantes e etc., que lhes contarei de forma resumida aqui, neste relato, que entitulei como “Optimist: A História.”

Optimist: A História

O Começo… O caixote de madeira

Em 1947, o estadunidense Clark Mills, morador da cidade de Clearwater, na Flórida, havia criado um veículo marítimo improvisado. Eram caixotes de madeira com velas improvisadas, com os quais a rapazeada da cidade, disputava suas regatas, e anualmente o chamado “Derby dos Caixotes de Sabão”. Observando isso, os dirigentes do Clearwater Optimist Club, em 1948, decidiram fazer algo mais parecido com um barco, e daí saiu o atual modelo, que logo se espalhou pelo país. Seu nome (Optimist significa Otimista em português) se deve ao uso do barco em reabilitação de crianças num instituto.

Após observar os barcos, o dinamarquês Axel Damsgaard resolveu levar alguns modelos para a Europa. Após algumas ligeiras modificações, o Op logo se espalhou também pelo Velho Continente.

No ano de 1960, os designs tanto europeu quanto americano foram padronizados, até que em 1995, foi decidido um rígido design único, que é aquele dos nossos Op’s de hoje em dia. Sendo que, em agosto de 1965 foi fundada a associação internacional da classe, a IODA (International Optimist Dinghy Association).

Hoje em dia, várias fabricantes de barcos já surgiram, muitas delas extremamente conhecidas por nós. Aqui alguns desses “produtores de sonhos”: WINNER OPTIMIST; OPTI-X; NAUTIVELA; BLUEMAGIC; RIOTECNA; entre outros.

O Optimist no Brasil

O começo no Brasil com Bruder

Nos anos 70,e enfim, nossos amados caixotinhos chegam ao Brasil. E o mérito disso vai para três pessoas em especial. George Bungner, Castelo Branco e Sibile Buckup. Sibile teria organizado a classe, enquanto os outros dois executaram com primor a tarefa de divulgar o barco pelo país.

George “descobriu” o barco quando voava como um comandante pela Varig, e viu algumas crianças em Miami velejando no então chamado PRAM, que também foi levado para a Inglaterra e modificado, e essa versão europeia é que se tornaria o verdadeiro Optimist. Empolgado, ele resolveu trazer alguns desses barcos para o Brasil, que empolgado, queria lançar um novo esporte para crianças de quase qualquer classe econômica, pois o barco nada tinha de muito sofisticado.

Os barcos de madeira e velas coloridas

Então, já aqui, em parceria com Castelo Branco, na época diretor de vela do Caiçaras, no Rio de Janeiro, eles começaram a trabalhar para o início da nova classe, principalmente no quesito da divulgação. (Segundo George, Castelo se considerava o “pai” do Op no Brasil.)

E é também nesta época que surge Sibile, que então se torna a primeira Secretária Nacional da Classe Optimist, cargo que ocupou por três anos. Com ela, a classe finalmente conseguiu obter uma boa organização, e hoje conta com mais de mil barcos registrados, embora menos da metade esteja realmente ativa. E logo no primeiro Campeonato Brasileiro, em 1973, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, já competiram 120 barcos! E esse sucesso seria ainda maior na edição seguinte, com 150 barcos participando! A classe havia chegado para ficar.

O OP EM SI.

Como todos já sabem, o Optimist é um barco recomendado para crianças e jovens de 7 a 15 anos, com não mais do que 60kg. Isso se deve ao seu formato retangular e a proa plana, o que impede velocidades extremas. O Optimist é também característico por sua vela do tipo carangueja e o fino cilindro fechado que em diagonal prende a vela trapezoidal, a espicha, também conhecida como pique.

Obviamente, ele não seria recomendado para crianças tão novas se não fosse essa segurança, e é essa característica, além de sua estabilidade e seu preço acessível(mais barato do que alguns smartphones dos dias atuais), que o fazem uma das classes da vela mais difundidas pelo mundo.

Média das dimensões

  • Tipo de vela: Vela do tipo carangueja
  • Comprimento total: 2,34m
  • Largura: 1,13 m
  • Peso: 35 kg
  •  Área vélica: 3,25m²
  •  Tripulação: 1 Pessoa, de 25kg a 60Kg

Nos próximos parágrafos, falarei um pouco sobre as transformações sofridas por partes específicas do barco.

Winner… Um sonho para muitos

CASCO: O Optimist tem um casco em forma de caixote, originalmente formado principalmente a partir de cinco peças de madeira compensada. Era o maior casco que Clark Mills poderia fazer. Na frente da caverna central fica a caixa de bolina, onde a mesma fica durante o velejo. Logo atrás da caverna ficam alojados os moitões da escota, sendo um uma catraca. No centro da bancada fica a enora onde é encaixado o mastro, que fica apoiado no pé de mastro que é fixado no fundo do barco. Detalhe, o cabo de amarração de barco, mais conhecido como cabo de reboque, fica amarrado no pé de mastro. Os flutuadores, comumente chamados de salsichões, são presos por alças em ambos os lados da proa e na popa, para garantir a flutuabilidade do barco caso ele vire. Duas alças, fixadas na caverna central e no fundo do barco, na popa(nossas alças de escora), que trabalhando em conjunto com a extensão do leme, permitem que o velejador utilize melhor seu peso ao “jogar” seu corpo para fora do barco(escorar). Este movimento é crucial para que o barco se mantenha na posição mais horizontal possível nos ventos fortes, aumentando a velocidade e a manobrabilidade. Hoje em dia, a grande maioria dos cascos são feitos de fibra(em geral de vidro), mas ainda é possível encontrar e construir os de madeira. Podem ser encontrados barcos de “escolinha” feitos de fibra como os de regata, mas estes não devem ser utilizados em competições. A maior parte do casco tem aproximadamente 5mm de espessura, reforçado pela caverna central, bancada e verdugo.

One Sails, uma das preferiadas em 2019

VELA: A única vela do Optimist é do tipo carangueja, com espicha e 2 talas. É presa e com os “cabinhos” ao longo do mastro e ao longo da retranca, puxada para baixo firmemente pelo burro. A espicha estica a vela através de um laço no pico da vela onde prendemos uma de suas pontas, enquanto a outra repousa no olho de um cabo curto ou corda que trava ao longo da borda dianteira do mastro. Levantando e abaixando a espicha e ajustando o burro permitimos a adaptação da guarnição da vela a uma escala de condições do vento.

O símbolo da classe, presente na vela, é formado pelas letras I e O sobrepostas, por causa da IODA.

Performance e o Futuro

A classe com mais barcos e maior nível técnico

Como velejadores de Op podem ser bem pequenos/leves(tipo, 25kg), estes utilizam uma vela bem pequena se comparada com outras classes, portanto, aqueles maiores e mais pesados (40 kg ou mais) podem passar a sentir problemas em, velejar nele, pois o barco fica apertado, e surgem maiores dificuldades para competir em ventos mais fracos, o que pode tornar as regatas meio maçantes.O outro problema com Optimists é que eles não têm qualquer sistema de drenagem e sua cabine aberta torna mais fácil encher-se com água, em ventos fortes e grandes ondas.

Por isso, a grande maioria dos velejadores, após deixarem o Op, passam a velejar em classes da vela jovem, como o Laser, o 29er e o 420. Depois de correr no Optimist, na Nova Zelândia, é comum que os marinheiros progridam para a classe P, projetada localmente, e para o Starling dinghy ‘ s. Há também aqueles com parentes e/ou amigos que possuem barcos grandes, e rumam para a vela oceânica, além da opção exclusiva nossa, aqui no Brasil. Para aqueles que buscam mais a diversão do que o profissionalismo, há sempre a Classe Dingue a espera.